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DUAS FURB MAS UM DISTANCIAMENTO SOCIAL (01/05)

Dr. M. MATTEDI

Universidade Regional de Blumenau

mam@furb.br


O recente relatório da pesquisa A FURB E O DISTANCIAMENTO SOCIAL realizada pelo Grupo de Pesquisa NET-dr apresenta achados muito importantes para a FURB. A pesquisa sondou cerca de mil estudantes sobre questões relacionadas ao Distanciamento Social e as atividades acadêmicas on-line. Embora a consistência da relação entre as variáveis dependa ainda da testagem estatística e da realização de novas séries, já é possível entrever alguns resultados significativos. Eles dizem respeito não somente ao Distanciamento Social, mas também ao próprio perfil do aluno. Sobretudo, os resultados da pesquisa parecem corroborar a tese das duas FURB.


A tese das duas FURB refere-se a divisão institucional entre o Aluno-Profissional (Full time) e o Aluno-Trabalhador (Part time). O Aluno-Profissional compreende o estudante que se dedica exclusivamente às atividades acadêmicas em cursos diurnos e que é dependente dos pais; já o Aluno-Trabalhador é obrigado a trabalhar, financia sua formação e, frequentemente, estuda no período noturno. Os dois tipos de estudantes refletem as transformações institucionais que marcaram a FURB, mas também a região a partir dos anos 90 com o crescimento dos cursos nas áreas de saúde e tecnologia e o declínio das áreas de ciências sociais aplicadas e de educação.


Esta suposição se explicita quando examinamos o perfil dos estudantes pela fonte de renda. Afinal, se considerarmos os dois maiores estratos do Gráfico 1 verificamos que 42,70% são dependentes dos pais, enquanto 34,70% dos respondentes são trabalhadores formais. E quando somamos os que trabalham e estudam este total representa 44,20%, enquanto os alunos que só estudam atingem 55,80%. A consideração destes dados indica que a FURB está dividida ao meio: é interessante porque mostra que progressivamente a FURB vai deixando de ser uma universidade de Aluno-Trabalhador e vai se tornando uma universidade de Aluno-Profissional.


Gráfico 1 – Estudantes por fonte de renda


Ao mesmo tempo, os dados permitem diferenciar padrões distintos de engajamento no Distanciamento Social. Neste sentido, considerando a percepção do risco é possível diferenciar dois tipos básicos de engajamento. De um lado, verifica-se uma tendência de forte aderência ao Distanciamento Social; de outro, destaca-se uma postura de fraca resistência ao Distanciamento Social. Isto indica que o padrão predominante dos alunos da FURB é de aderência ao Distanciamento Social está relacionado a condição de renda como indica o Gráfico 2. A suposição é, portanto, que quanto maior a renda maior o engajamento no Distanciamento Social.


Gráfico 2 – Tipo de renda por condições de isolamento


Ou seja, quando comparamos estes dados com as condições de Distanciamento Social verificamos, ao contrário, uma relação de equivalência. O Aluno-Profissional e o Aluno-Trabalhador apresentam basicamente as mesmas condições de isolamento social. Afinal, quando contrastamos as condições de isolamento com a renda não existe uma diferença significativa. Porém, quando consideramos os Bolsistas, as condições boas diminuem, proporcionalmente, aos dependentes dos pais e aos trabalhadores formais, como indica o Gráfico 3. Isto, claro, se deve a própria condição de bolsista ou, talvez, a alguma causa espúria que a pesquisa não capturou.


Gráfico 3 – Engajamento por tipo de renda


Consequentemente, o trabalho e a renda dos estudantes determinam as condições de isolamento social. Isto nos faz supor que quanto maior a renda e trabalho maior a propensão ao isolamento. É que quanto mais estável do ponto de vista do trabalho e quanto maior a renda maior a aderência ao Distanciamento Social. Neste sentido, os dados do Gráfico 3 cruzados com os dados do Gráfico 4 exprimem esta tendência. Afinal, assinala a relação entre a adesão ao Distanciamento Social por meio vínculo entre renda e atividades econômicas não essenciais.


Gráfico 4 – Condições econômica com atividades comerciais


Isto acontece porque é renda a que determina o engajamento como indica a força das relações apresentadas pela Tabela 1. Embora, a força explicativa da relação não seja muito intensa, fica muito evidente o movimento da tendência, principalmente, quando se trata de trabalho formal e informal. O apoio sobe em função da renda: quanto maior a renda, maior o apoio ao Distanciamento social. Isto indica que se o aluno é autônomo ou informal e tende a ser contrário ao isolamento social, enquanto se ele for dependente dos pais ou trabalhador ele é a favor do isolamento social. Neste sentido, que trabalha se isola menos.


Tabela 1 – Relação entre renda e isolamento

Para tentar explicar este processo podemos criar uma Matriz Analítica cruzando o Perfil de Aluno com o Padrão de Engajamento. Estas duas dimensões permitem a criação de quatro tipos predominantes de postura dos alunos frente ao Distanciamento Social:


TIPO A: alta disponibilidade com alta consciência;

TIBO B: baixa disponibilidade com alta consciência;

TIBO C: alta disponibilidade com baixa consciência;

TIPO D: baixa disponibilidade com baixa consciência.


Matriz Analítica 1


A FURB nasceu para atender o Aluno-Trabalhador e foi se transformando numa universidade de Aluno-Profissional. Neste sentido, a pesquisa indica que apesar da diferença estruturante entre os alunos part time e os alunos full time não existe diferença significativa no que se refere ao Distanciamento Social. O predomínio assinalado pelo Gráfico 3 indica que entre os estudantes prevalecem os tipos A e B de comprometimento. Ou seja, as condições sociais de estudo não afetam no engajamento ao Distanciamento Social. Portanto, a pesquisa realizada pelo NET-dr parece indicar que as duas FURB se engajaram no Distanciamento Social.






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