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Introdução: O fim do equilíbrio Chávista

Autor: Lucas Ademir Pereira

A política internacional de 2026 foi marcada por um evento sísmico que rompeu o "conflito congelado" na América Latina: a operação militar unilateral dos Estados Unidos que culminou na captura de Nicolás Maduro e sua transferência para Nova York. Este ato não foi um mero evento tático, mas o colapso de um regime que se sustentava por um quarto de século e o prenúncio de uma reestruturação profunda da ordem global. A queda de Maduro simboliza a reafirmação de uma nova postura americana, batizada neste contexto como a "Doutrina Monroe 2.0", onde a intervenção direta substitui a diplomacia multilateral em zonas de influência prioritárias.

A análise do cenário pós-Maduro transcende as fronteiras venezuelanas. O evento em Caracas atua como um "bater de asas de uma borboleta" (Teoria do Caos), reverberando em crises globais interconectadas: a guerra na Ucrânia e a tensão sobre Taiwan. O mundo de 2026 opera em um "Triângulo de Influências", onde o poder é exercido na intersecção da força física (Venezuela), da supremacia tecnológica (Taiwan) e da gestão da percepção (Ucrânia).


1 A Reafirmação da hegemonia regional: a Doutrina Monroe 2.0

A ordem global em 2026 está em transição de uma unipolaridade estável para uma multipolaridade competitiva. Segundo a ótica do Realismo Ofensivo de John Mearsheimer, o objetivo fundamental de uma grande potência é alcançar a hegemonia em sua própria região, impedindo que rivais projetem poder em áreas distantes.

A captura de Maduro é o exemplo prático desta reafirmação hegemônica. A Venezuela era vista por Washington não apenas como um Estado adversário, mas como um "posto avançado" de potências revisionistas, notadamente a China e a Rússia.

- O Veto Regional: A Doutrina Monroe 2.0 estabelece um "custo de entrada" elevado para atores extrarregionais na América Latina. A Hegemonia pela Decapitação — a remoção cirúrgica do líder — reestabelece a zona de exclusividade estratégica dos EUA, exercida não pela persuasão, mas pela força.

Esta dinâmica não é exclusiva da América Latina, mas é replicada no tabuleiro global:

- Eurásia (Ucrânia): O conflito é o choque entre a hegemonia regional russa e a expansão da influência ocidental (OTAN). A Ucrânia é vista pela Rússia como parte de seu "Espaço Vital" (Lebensraum). A OTAN, por sua vez, atua como um "balanceador externo", buscando impedir que a Rússia se torne a potência hegemônica da Eurásia.

- Pacífico (Taiwan): A China busca a hegemonia marítima e tecnológica através do controle da "Primeira Cadeia de Ilhas". Taiwan, neste contexto, representa a Armadilha de Tucídides, onde a potência em ascensão (China) desafia a ordem estabelecida (EUA). Diferente dos outros cenários, aqui a hegemonia é definida pelo controle do fluxo de semicondutores. Quem domina Taiwan exerce uma "hegemonia de infraestrutura" sobre o século XXI.

Síntese Teórica da Hegemonia em 2026:

Conceito

Aplicação Prática (2026)

Objetivo da Potência

Unipolaridade

Reafirmação dos EUA na América Latina.

Excluir rivais do "quintal" (Venezuela).

Bipolaridade Tática

Conflito OTAN vs. Rússia na Ucrânia.

Impedir a consolidação da Eurásia russa.

Multipolaridade

Disputa China vs. EUA por Taiwan.

Dominar a cadeia produtiva global de tecnologia.

2 A Teoria dos Jogos: O colapso da lealdade sob medo

A intervenção que capturou Maduro não foi apenas uma vitória militar; foi a resolução forçada de um equilíbrio estratégico que mantinha a cúpula do poder chávista coesa.

Antes da intervenção, generais e ministros operavam em um Jogo Repetido, onde o "Equilíbrio de Nash" era a estabilidade autoritária: a lealdade a Maduro garantia cargos e proteção contra extradição. O custo da deserção individual era a execução ou a prisão.

A operação de janeiro de 2026 rompeu este jogo, transformando-o em um Jogo de Tiro Único (One-Shot Game).

- Eliminação do Centro de Gravidade: A captura física de Maduro removeu o "garante" do jogo, criando um vácuo informacional e de comando.

- Incentivos Assimétricos: A oferta de anistia externa para quem facilitasse a transição (como sinalizado pela administração americana) tornou a deserção coordenada a estratégia dominante. O medo de ser o "último a sair" e acabar extraditado para Manhattan superou o medo da retaliação chávista.

O desafio pós-captura é a transição do Dilema do Prisioneiro (pânico da elite) para um perigoso Jogo de Coordenação. Sem Maduro, facções internas (como as lideradas por Diosdado Cabello ou Delcy Rodríguez) podem entrar em um jogo de soma zero pelo controle do Estado. O risco é o conflito interno ou a guerra civil, caso um grupo militar decida resistir e outro reconheça o governo interino.


3 O Efeito Borboleta em Caracas e a Entropia Global

A Teoria do Caos postula que, em sistemas dinâmicos complexos, pequenas variações nas condições iniciais podem gerar resultados divergentes e massivos. A captura de Maduro foi o gatilho, o "atrator estranho" que desestabilizou todo o sistema chávista. O país atingiu um ponto de bifurcação, forçado a escolher entre a auto-organização democrática ou a fragmentação em um estado de guerra de todos contra todos.

Este caos transbordou para o Triângulo de Influências:

- Conexão Kiev: A remoção de um aliado russo nas Américas forçou o Kremlin a realocar recursos de inteligência e diplomacia da Ucrânia para salvar seus ativos no Caribe. Isso alterou a pressão e a dinâmica na linha de frente europeia.

- Conexão Taipé: A percepção de que os EUA podem agir de forma cirúrgica gerou flutuações caóticas nos mercados de futuros de chips. O medo de que a China "antecipe" seu movimento em Taiwan como resposta à audácia americana criou uma volatilidade que o mercado financeiro global luta para precificar.

A estabilidade da Venezuela (e, por extensão, do sistema global) dependerá dos ciclos de feedback:

- Feedback Amplificador (Caos): Ataques de milícias à infraestrutura (medo da perseguição) geram mais revolta popular, o que exige mais repressão, criando um espiral de desordem.

- Feedback Estabilizador (Ordem): A entrada imediata de ajuda humanitária e a restauração de serviços básicos atuam como freios à desordem, forçando o sistema a encontrar um novo ponto de equilíbrio mais estável.


4 Comunicação de risco no vácuo de poder

Em um cenário de crise sistêmica, a comunicação de risco é um ativo estratégico, frequentemente mais determinante para o desfecho do que os fatos objetivos.

A captura de Maduro criou um vácuo informacional preenchido por narrativas divergentes. A gestão da crise exigiu o balanço entre transparência e segurança operacional. Se a comunicação falha em apresentar a intervenção como uma "libertação jurídica", a percepção pode migrar para a de "invasão imperialista", ativando movimentos de resistência nacionalista (um feedback positivo de caos).

Para investidores e multinacionais, a comunicação de risco exige a redução da incerteza, com a definição clara de cronogramas para a restauração da segurança jurídica.


Fonte: internet
Fonte: internet

Referências

Arendt, Hannah. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.

Bremmer, Ian. The power of crisis: how three threats - and our response - will change the world. New York: Simon & Schuster, 2022.

Buzan, Barry; Waever, Ole. Regions and powers: the structure of international security. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

Caballero, Manuel. La crisis de la democracia para la democracia: la experiencia venezolana. Caracas: Alfadil, 2003.

Dixit, Avinash K.; Nalebuff, Barry J. Thinking strategically: the competitive edge in business, politics, and everyday life. New York: W. W. Norton & Company, 1991.

Gleick, James. Caos: a criação de uma nova ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1989. (Tradução da obra original de 1987).

Kelsen, Hans. Principles of international law. New York: Rinehart & Company, 1952.

Keohane, Robert O. After hegemony: cooperation and discord in the world political economy. Princeton: Princeton University Press, 1984.

Lauterpacht, Hersch. Recognition in international law. Cambridge: Cambridge University Press, 1947.

Lowe, Vaughan. International law. Oxford: Oxford University Press, 2007.

Mearsheimer, John J. The tragedy of great power politics. New York: W. W. Norton & Company, 2001.

Porter, Michael E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

Rouquié, Alain. O Estado militar na América Latina. Rio de Janeiro: Record, 1984.

Sandman, Peter M. Responding to community outrage: strategies for effective risk communication. Falls Church: AIHA Press, 1993.

Santos, Theotônio dos. Teoria da dependência: balanço e perspectivas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

Schimitt, Carl. Teologia política. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. (Obra original publicada em 1922).

Spykman, Nicholas J. The geography of the peace. New York: Harcourt, Brace and Company, 1944.

 

 

 
 
 

Foi lançado, durante o almoço comemorativo dos 50 anos do curso de Computação da FURB, o livro "50 anos: [computação e sistemas FURB]: códigos que constroem, conhecimento que conecta", obra de 319 páginas organizada por Alani Rigotti de Oliveira, Maiko Rafael Spiess e Marcos Mattedi, todos membros do Núcleo de Estudos da Tecnociência (NET).


O livro registra a trajetória histórica da computação desde 1975, reunindo marcos curriculares, documentos institucionais, depoimentos de pioneiros e 23 entrevistas com docentes. O resultado é um panorama abrangente da formação, da pesquisa e da relação entre o curso e o ecossistema regional de tecnologia.


Memória e desenvolvimento tecnológico

A obra percorre o impacto da criação do Tecnólogo em Processamento de Dados, a consolidação do Bacharelado em Ciência da Computação e do curso de Sistemas de Informação, bem como o papel desempenhado por iniciativas estratégicas como o Instituto GENE, o SOFTEX 2000, o SEMINCO e o Laboratório de Desenvolvimento e Transferência Tecnológica (LDTT).

O livro também incorpora o trabalho do CeMeTIVI, que realizou o resgate e a organização da memória técnica e institucional do setor de TI do Vale do Itajaí.


Três direções para o futuro

Ao final, os autores apontam três eixos centrais para os próximos 50 anos do curso:

• Ampliar a transferência de conhecimento para empresas, governo e sociedade;

• Atualizar e diferenciar a formação profissional em áreas como software, sistemas distribuídos e inteligência artificial;

• Fortalecer a pesquisa e a internacionalização, integrando pós-graduação e redes de cooperação.


 
 
 

Trabalho de Dra. Maria Rossi e Dr. Marcos Mattedi é reconhecido entre os melhores do evento que ocorre dia 11 de novembro, na UFRJ, por propor avanços teóricos na Gestão Integral de Risco de Desastres


O artigo “Da Gestão de Risco de Desastres (GRD) à Gestão Integral de Risco de Desastres (Integral Disaster Risk Management – GIRD): avanços epistemológicos com o novo paradigma teórico-conceitual da gestão dos desastres”, de autoria da Dra. Maria Rossi e do Dr. Marcos Mattedi, pesquisadores do Núcleo de Estudos da Tecnociência do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da FURB, conquistou o 3º lugar geral e o Prêmio Bronze no III Encontro com a Ciência – Estado, Ciência e Sociedade na produção de conhecimento científico e tecnologias para a atuação em desastres. A Cerimônia de Premiação acontece no dia 11 de novembro de 2025 na COPPE/UFRJ, no Rio de Janeiro, com transmissão online (even3.com.br/iii-encontro-com-a-ciencia-627462).


O Encontro, promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para debater a integração entre Estado, ciência e sociedade na produção de conhecimento e tecnologias voltadas à redução de riscos e desastres.


O artigo premiado apresenta uma contribuição teórica significativa ao propor a transição do modelo tradicional de Gestão de Risco de Desastres (GRD) para o paradigma da Gestão Integral de Risco de Desastres (GIRD) - abordagem que incorpora dimensões sociais, territoriais, políticas e epistemológicas no enfrentamento de desastres.


A GIRD representa um avanço epistemológico na compreensão e gestão dos desastres, pois desloca o foco da reação para a integração entre Prevenção, Governança e Território. Mais do que uma metodologia, ela constitui um novo paradigma conceitual, que reposiciona a ciência (conhecimento científico), o Estado e a Sociedade como coprodutores da gestão do risco. Ao articular a Governança Multinível (institucional) e a Governança Territorial Local (conceitual e prática), a GIRD promove um caminho possível para a efetiva construção de resiliência sustentável e participativa tendo a Sociedade Civil inserida no processo decisório da gestão dos desastres (Defesa Civil).


Segundo os autores, “o reconhecimento concedido por este prêmio reforça a importância de compreender os desastres como processos complexos e multiescalares, que exigem uma gestão integrada e colaborativa entre ciência, Estado e sociedade”.


Além do Prêmio Bronze, a Dra. Maria Rossi também conquistou Menção Honrosa (6º lugar) com o artigo “A intersetorialidade e a Gestão Integral de Risco de Desastres em Santa Catarina”, desenvolvido em coautoria com a Profa. Dra. Tânia Regina Krüger, docente do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFSC, onde Maria realiza estágio pós-doutoral.


As pesquisadoras também tiveram aprovado o trabalho “Desastres Socioambientais e Gestão Territorial Sustentável em Santa Catarina”, que será apresentado durante o evento.


A Comissão Científica do III Encontro com a Ciência avaliou os trabalhos com base em critérios de relevância, originalidade e contribuição científica. O artigo dos pesquisadores do Núcleo de Estudos da Tecnociência obteve média 4,4, figurando entre os três melhores do evento. O Prêmio Bronze reconhece o rigor teórico e a relevância social da pesquisa, que dialoga com os desafios contemporâneos da governança de riscos e da sustentabilidade territorial.


Evento: III Encontro com a Ciência – Estado, Ciência e Sociedade na produção de conhecimento científico e tecnologias para a atuação em desastres

Data: 11 de novembro de 2025, com início às 07:30hs

Local: Auditório da COPPE, Bloco G, Sala 122 – Av. Horácio Macedo, 2030, Cidade Universitária, UFRJ – Rio de Janeiro/RJ

 
 
 
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