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EFEITOS ESPACIAIS NO DISTANCIAMENTO SOCIAL (17/04)

Dr M. MATTEDI

Universidade Regional de Blumenau

mam@furb.br


A força da transmissão do SARS-Cov-2 (Coronavírus) depende do contato potencialmente infeccioso com outra pessoa. Isto indica que quanto maior a quantidade de contatos sociais diretos de uma pessoa, maior sua probabilidade de contágio. Por isto, existe um consenso que se não forem adotadas medidas de Distanciamento Social a COVID-19 não há como conter a curva de propagação. Porém, a duração, frequência e intensidade necessárias do Distanciamento Social permanecem ainda muito incertos. É que a estrutura da população ou subpopulação pode, ao mesmo tempo, aumentar ou diminuir a força de transmissão do Coronavírus.


Isto acontece por que a Densidade Demográfica da população afeta diretamente a transmissibilidade. A Densidade Demográfica exprime a medida da relação entre a população e a superfície do território em termos de quilômetros quadrados. Supõe, assim, de forma hipotética que: quanto maior a Densidade Demográfica de uma região, mais rigoroso o Distanciamento Social. Por isto, regiões com Alta Densidade Demográfica tendem a experienciar o Distanciamento Social de forma diferente que regiões com Baixa Densidade Demográfica. Afinal, quanto mais densas as unidades populacionais mais prolongado e rigoroso o Distanciamento Social.


A consideração do patamar demográfico permite ampliar a análise dos efeitos emergentes do Distanciamento Social. É que se a probabilidade transmissão local sustentada em unidades populacionais mais densas é maior, consequentemente, as medidas Distanciamento Social nestas regiões precisam ser temporalmente estendidas. Isto acontece porque a concentração espacial da população aumenta a intensidade das trocas entre os indivíduos. Assim, é o grau de Proximidade Física conforma o Distanciamento Social. Neste sentido, é correto afirmar que o Distanciamento Social não varia apenas temporalmente, mas também espacialmente.


Por isto, a relação entre Oportunidades e Preferências da Matriz Analítica apresentada pelo Dr Spiess precisa ser considerada espacialmente. A Matriz Analítica estabelece que o Distanciamento Social varia em função das Coerções Materiais e das Disposições Subjetivas. O cruzamento mais surpreendente é aquele que liga os podem se distanciar, mas não querem; e aqueles que querem se distanciar, mas não podem. Revela que, economicamente, o engajamento do Distanciamento Social é um privilégio: a propensão ao engajamento no Distanciamento Social varia em função da renda. Afinal, as opções de engajamento indicam que nem todos podem fazer o que preferem.



Porém, a incompatibilidade entre Oportunidades e Preferências não deve nos fazer esquecer daqueles que não precisam escolher. Este fenômeno acontece por as escolhas dependem também da distribuição espacial da população. Por exemplo, uma pessoa pobre que se encontra numa área rural não está submetida, necessariamente, aos mesmos condicionamentos econômicos. É que a propensão ao engajamento ao Distanciamento Social em áreas de baixa densidade demográfica é inócuo. Afinal, em termos de custo e benefícios o ganho marginal do engajamento é significativamente baixo porque a autorestrição não afeta a atividade produtiva.


Isto acontece também porque os efeitos do Distanciamento Social dependem muito da intensidade dos contatos sociais diretos. Os contatos sociais diretos podem ser diferenciados analiticamente em dois grandes padrões de interações: a) Contato Direto Forte: espaço caracterizados por alta divisão do trabalho; a) Contato Direto Fraco: espaços caracterizados por baixa divisão do trabalho. Ou seja, em algumas regiões o Distanciamento Social é apenas impossível, mas é também inviável. Os padrões de comportamento segurem as escolhas são guiadas por condições espaciais locais. Isto significa que alguns lugares tem mais probabilidade de se distanciar que outros.


Além disso, a descrição da variação do espaço em função da quantidade de pessoas permite a expressão territorial do Distanciamento Social. Neste sentido, é possível falar de Círculo de Contágio: quanto maior a densidade da unidade populacional, mais amplos o Círculo de Contágio. Neste sentido, é possível diferenciar dois Círculos de Contágio: a) Círculos de Contágio Fechado: unidades populacionais com altas taxas de transmissão; b) Círculos de Contágio Abertos: unidades populacionais com baixo nível de transmissão. O grau de imunidade espacial de certos territórios pressupõe padrões diferenciados de engajamento no Distanciamento Social.



Isto significa que o Distanciamento Social possui uma expressão territorial. Neste sentido, a relação entre os Padrões de Interação e os Círculos de Contágio geram dois cenários de engajamento principais de engajamento no Distanciamento Social: a) Distanciamento Social Flexível: produto de uma situação que combina um Círculo de Contágio Aberto com um Contato Direto Fraco; b) Distanciamento Social Rigoroso: resulta de uma relação entre um Círculo de Contágio Fechado e um Contato Direto Forte. Este cruzamento indica que a expressão espacial do Distanciamento Social estrutura tanto o Território do Contágio, quanto o Território da Imunidade.


Existe uma variação espacial importante na força de transmissão do Coronavírus que condiciona o padrão de engajamento no Distanciamento Social. Este processo está relacionado ao Círculo de Contágio: unidades espaciais menos densas apresentam uma imunidade maior em função da menor intensidade de contatos diretos. Ou seja, varia inversamente: quanto menor a intensidade de relações sociais diretas, maior a imunidade espacial. Portanto, o engajamento do Distanciamento Social se torna menos problemático cotidianamente. Isto indica que a renda é uma condição necessária, porém não suficiente, para explicar o grau de aderência ao Distanciamento Social.


Portanto, a diferenciação territorial é importante porque indica que a quanto maior a proximidade física entre as pessoas maior a desestruturação do cotidiano provocada pelo Distanciamento Social. Contexto social que se caracterizam Círculos de Contágio Aberto e Contato Direto Fraco produzem a situação desviante do grupos de pessoas que não precisa se engajar – muito embora não podemos esquecer também que apensar destes contextos estarem menos expostos, ele também, inversamente, estão menos preparados. Neste sentido, pode ser dizer que as variações regionais na propagação da epidemia acompanham a variação regional da população.


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